Editorial
Distante, lembrei da folia...
“A Festa do “Caxorro Loco” é
hilária até na grafia.
Eu a freqüento desde o segundo ano e o que mais me
atrai é a performance do evento, já que todas
as pessoas
vão fantasiadas e o clima fica eloqüente com
tantas
fantasias bonitas. Todas dariam uma obra do espanhol
Salvador Dali, entre fantasias e sonhos.
Outra questão admirável é que, no meio
de mais de duas
mil pessoas com bebida a vontade, não se vê
brigas nem
baixarias de bêbados. Acho que isso acontece por causa
do nível
dos freqüentadores, já que o marketing mais
forte do “Caxorro...”
é o boca-a-boca, e assim os amigos vão passando
a frequentar.
O que se encontra por lá é muita alegria.
E é difícil ver tanta gente bonita reunida
numa só festa.
O extrovertido é que a gente acaba entrando no clima
da fantasia
ao ver as pessoas vestidas de príncipes, princesas,
sacerdotes,
bruxas, ou algo não usável no dia-a-dia, o
clima é de êxtase”.
“Conheci o “Caxorro Loco” em 1988, ainda
como modelo.
Eu era uma das convidadas de um grupo de dez garotas que
participaram do desfile de rua numa carruagem. Lembro que
de última hora, improvisei uma fantasia de coelhinha
e ficou
engraçadinha, apesar do frio. Aliás, tenho
saudades do desfile
que acontecia antes porque criava um clima diferente.
Mas, se isso é para colaborar com a Lei do Psiu,
estou de acordo”.
“Distante, lembrei da folia
e acho que estive presente,
na imaginação”.
“Tenho a oportunidade de freqüentar as grandes
festas, mas confesso
que seleciono-as, mesmo porque levo uma vida corrida como
jornalista
e prefiro dormir bem para poder produzir. Mas, não
perco o “Caxorro
Loco” por nada e fiquei meio frustrada em agosto de
96, já que não
deu para eu participar porque estava morando na Suíça
e retornaria
ao Brasil três meses depois do evento.
Distante, lembrei da folia e acho que até estive
presente, na imaginação,
é claro. No ano seguinte fiz um desafio para estar
presente.
O “Caxorro...” coincidia com a abertura da Festa
do Peão de Boiadeiro de
Barretos e eu teria que fazer cobertura. Ao sair da festa,
passei em casa
para tirar a fantasia e fui direto para o aeroporto. O pior
é que não dormi
e, à noite, por mais que eu tentasse manter a lucidez,
fixando os olhos no palco, eu cochilava a todo instante,
enquanto acontecia o show “Amigos”
(Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo
e Zezé Di Camargo & Luciano).
Senti muita vergonha por estar cochilando, mas a minha maior
glória era
saber que estava ali, sem ter perdido a festa do Piu Piu.
Aliás, acho esse cara muito audaz, já que
ele encabeça essa festa e a
Banda Grande Família, só pensando na alegria
das pessoas.
Ainda bem que ele tem uma esposa que o apóia, a Lindinha.
Ela também
é uma grande foliã. Parabéns aos dois
e à equipe!”
MERA TEIXEIRA
Jornalista, radialista, colunista social
Depoimento de 1998